DEPOIS DAS URNAS, O RECÁLCULO DE ROTA: MORAES FLEXIBILIZA RESTRIÇÕES E REVELA O PESO DO RECADO ELEITORAL
Após o resultado das urnas no primeiro turno, o STF sinaliza recuo ao enviar à PGR a autorização para Flávio voltar a visitar Bolsonaro.
A política brasileira tem uma capacidade ímpar de produzir ironias institucionais, e o mais recente capítulo do Supremo Tribunal Federal (STF) é prova viva disso. O ministro Alexandre de Moraes enviou à Procuradoria-Geral da República (PGR) o pedido para avaliar a liberação das visitas do senador Flávio Bolsonaro ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Para quem acompanha os bastidores de Brasília, a cena não deixa de ser emblemática. Durante meses, o rigor absoluto da Corte determinou que até os gestos mais cotidianos da vida familiar e política fossem minuciosamente controlados pelo crivo de decisões monocráticas. Um filho precisar de autorização formal do Judiciário para um simples encontro familiar tornou-se o retrato de uma centralização sem precedentes.
No entanto, o momento da decisão não passa despercebido. Bastou a apuração do primeiro turno dar o seu recado nas urnas para que o tom de "mão de ferro" abrisse espaço para uma surpreendente flexibilização institucional. Coincidência ou pragmatismo, o fato é que a matemática eleitoral parece ter um poder singular de fazer o Judiciário recalcular a rota.
A pergunta que fica nos bastidores da política nacional é direta: o que mudou na avaliação de risco das instituições entre a véspera da eleição e o abrir das urnas? Quando o rigor jurídico se molda à temperatura do voto, a linha entre a preservação da ordem e a conveniência política torna-se cada vez mais tênue.Por blog Normando Carvalho